8.6.10

CAMINHOS



Nos caminhos da sombra se acoitam nossos medos.
Ah não fossem as sombras como andariam loucos,
em desatino, a desfazer a nossa gargalhada, a desatar
o nosso abraço, a apagar o lume que o amor acende,
a ocultar os astros novos que as noites nos ofertam.
Libertos ficam os indícios das pedras que a outras
pedras nos conduzem, sempre mais amáveis, mais
redondas, mais lisas, mais conforme a lassidão do
nosso andar. E as cores, as cores, que nos traçam
os mapas na pele, nos olhos astrolábios, nas mãos
oceanos de gelo, lava de vulcões, nos braços a prata
do devir dos amantes, na boca o oiro  com que
se beija um filho ainda por nascer ou já entregue
às pedras e aos medos e ao brilho imenso de viver.

Licínia Quitério

7 comentários:

Justine disse...

Sombrios mas belos, estes labirínticos caminhos por onde vai passando a nossa vida...

paulo da ponte disse...

"Adormeceu obedecendo à noite..."
:)

Alien8 disse...

Licínia,

Também eu andei arredado dos blogs, até do meu... ainda ando... mas hoje vim aqui recuperar o tempo perdido. Gostei de tudo o que li e vi. Não te saberei dizer se mais de um ou de outro, pelo menos à primeira leitura. São poemas diferentes, mas todos muito bons. Como disse noutro local, saúdo o teu regresso.

Maria disse...

Belos são estes caminhos por onde me adentro chegando ao fim com um sabor especial no olhar...

Um beijo, Licínia.

maria manuel disse...

«Nos caminhos da sombra se acoitam nossos medos./ Ah não fossem as sombras (...)»

que extraordinário poema, amiga Licínia, uma sabedoria que nos transmites de forma tão poética e bela, como sempre. se não fossem as sombras...

beijo grande :)

Graça Pires disse...

Os medos acoitados nas sombras enquanto se procura a luz...
Um beijo, Licínia.

heretico disse...

como veredas (secretas) percorridas. em mágicas florestas.

ou como regsito de bordo de um itinerário intimo. de sombras a claridades

belíssimo. sempre...

beijos

arquivo

 
Site Meter