12.12.10

CAVALEIRO TRISTE



Também eu esgrimi contra gigantes 
e a minha espada  não quebrou
na dureza dos ferros.
O meu cavalo emagreceu 
nos pastos sobrantes das batalhas.
Guardo nos olhos a cor do pó
igual a chão e céu.
Nos ouvidos o tilintar das armas
e os urros dos gigantes
nos átrios da loucura.
Se não salvei a pátria
engrandeci o sonho.
Por minha dama resisti
ao medo e à cegueira
e defendi os fracos.
À guerra voltarei se me chamarem
cavaleiro triste.
Gosto de me sentar no campo,
ao pôr do sol,
aqui onde venci gigantes
e o vento se fez pão
e o meu cavalo solitário dorme
e a voz de minha dama ao longe,
dulcíssima,
tecendo para mim o seu cantar de amigo. 


Licínia Quitério

Foto da minha Amiga Bettips

9 comentários:

Maria disse...

Bonito, mesmo. A Bettips tem um olhar muito especial.

Beijo, Licínia.

hfm disse...

Licínia, este deixou-me sem palavras. Digo apenas - sublime!

heretico disse...

cavaleiro imaculado. que na generosidade do combate se tece. e se engrandece...

que bela dupla! - palavras e imagem.

beijos

CleiDi disse...

Encantas o mundo, pelas palavras e imagens. Este teu poema lançou-me naquele estado de percepção silênciosa do Belo.
Abraço.

Justine disse...

Precisamos de muitos cavaleiros tristes e sonhadores que vejam gigantes(e serão gigantes!) e não lhes voltem as costas, só porque podem ser moinhos...
Precisamos da poesia a fazer afirmações dessas, como tu fazes!
(Boa dupla, amigas:))))

Graça Pires disse...

Um cavaleiro que foi herói, que foi visionário, que foi poeta. Como D. Quixote...
Um poema excelente, Licínia.
Um grande beijo.

Mar Arável disse...

A poesia não salva pátrias

mas pode ajudar

Texto de sereno combate
Belo

Lídia Borges disse...

Todos temos um pouco de D. Quixote.
Alguns têm muito!



Um beijo

bettips disse...

Vamos fazer um dueto? Eu vejo, tu traduzes e alongas de sinais o momento que passa breve (e espantas-me!!!)

"não salvamos, não, a tal de pátria mas sei que engrandecemos o sonho - e resistimos, tecendo os nossos cantares de amigo" - desculpa-me pegar-te nas palavras e sentar-me no campo delas, contigo.
As boas companhias tornam-nos melhores.
Bjinhos L.

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