3.9.11

FOI NO TEMPO



Foi no tempo da velhice das rosas.
Os flamingos presos na tarde lodosa
dos tiranos. Sinais de fumo
na pele atormentada do pântano.
Escamas de virtudes
do tempo jovem das rosas
punham um brilho diamantino
na placidez das palavras.
Ausentes o viço e a turgidez das pétalas.
Presentes o odor a cais e
o vulto dos peixes-náufragos.
A cor das rosas podia ser dos flamingos
ou do cansaço de um tempo
anterior às auroras sanguíneas
e à sede infinita dos vulcões.
Podia e não podia. As rosas
guardam o regresso das vozes 
no borbulhar dos pântanos.
Escuta.


Licínia Quitério

9 comentários:

marta penha de carvalho disse...

Lindo! Fiquei a pensar...

Vieira Calado disse...

OLá, boa noite!

É bem bonito o seu poema...

como nos acostumou...


Bjsss

M. disse...

Lindíssimo! Tudo, a cor da imagem e das palavras.

Mar Arável disse...

Se a cor das rosas voasse como
os flamingos
seriam vermelhas

Belíssimo como sempre
Bjs

Justine disse...

Encantei-me com a beleza da cor, o fascínio das ideias, a sabedoria das palavras. Belíssimo, Licínia.

Graça Pires disse...

Foi nesse tempo que alguém disse que só a poesia pode salvar o mundo... E ninguém acreditou...
Um beijo, Licínia.

Alien8 disse...

E é tudo verdade!

heretico disse...

a floração das rosas, nas tuas palvras belas!

beijos

sandrafofinha disse...

Adorei a imagem!! Eu sou completamente fã de rosas,adoro rosas,principalmente rosas amarelas mas todas as outras rosas também sabem ser muito bonitas. As rosas são uma bela planta,eu adoro-as mesmo muito!! Mil beijinhos fofinhos amiguinha,fica bem!!

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