19.12.11

CLARISSE E OS ÁLBUNS




16. Não pode Clarisse suspender o balanço dos dias. Imóvel só o pêndulo sobre os retratos dos álbuns. Há um tempo de regresso, feito de memórias breves, pequenos grãos de saudade, pétalas amargas de flores suicidadas, lágrimas puras dos dias azuis. Nos arcos dos templos visitados, os olhos dos seus olhos ainda atentos às rolas de asas quebradas. Clarisse não reconhece os lugares, mas sabe que a esperam no dobrar de uma folha amarelada, num serão de contos a amaciar o inverno. Recorda como diziam havemos de lá ir como se tivessem já ido e voltado. Tamanho era o lago do presente que era também futuro e tudo nele se bebia. Clarisse afaga com os olhos verdes as colunas verdes e sorri à varanda das viagens do grande tempo de sorrir. Não tem pressa. Uma noite virá de saber o retrato da cidade inteira, das varandas de homens dormentes, das cantigas de roda, dos labirintos, dos morcegos, da vibração dos amarílis. Essa a grande certeza de Clarisse, a fechar com doçura o álbum das viagens.


Licínia Quitério
    

6 comentários:

Mar Arável disse...

Seja como for
tudo pelo melhor
neste inverno prolongado

e descontente

Bjs

heretico disse...

Clarisse tem a sabedoria das sibilas...

"havemos de lá ir". e veremos a cidade inteira e vibrante...

beijo

© Maria Manuel disse...

há sempre um tempo de balanço, entre as memórias e os sonhos para o futuro, que se conjugam neste presente que vivemos.
bom reler "Clarisse".

abraço, Licínia, e votos de um Bom Ano!

M. disse...

Na beleza do pensamento, na beleza das cores, na beleza das palavras, na beleza das memórias, na beleza do presente, na beleza do nque há-de vir, enfim na beleza das coisas te encontras e te perdes e te voltas a encontrar, Licínia. É o que sei dizer-te.

Justine disse...

Que Clarisse continue a sua viagem serena pelos albuns da vida...

George Sand disse...

A viagem tem que continuar.
Um Feliz Natal

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