6.10.13

PRAIA


No dia em que tudo estiver gasto, o riso da hiena, o arrulhar do pombo, a palavra rochedo, a palavra algodão, e, mais do que isso, a vontade de morder um fruto como quem bebe a lua, nesse dia falar-te-ei de coisas inocentes, cá dentro da porta selada, da casa do silêncio, dos móveis mil vezes limpos, do adejar das traças sobre as roupas, que só eu oiço, só eu. Era uma vez, assim começo, um grão de areia, dois grãos de areia, três grãos de areia que juntei e fui fazer a praia. Era uma vez, assim termino, uma praia, outra praia, e outra, e as juntei e nada mais pude fazer.

Licínia Quitério

2 comentários:

Paula Raposo disse...

Sempre gostei de te ler, mas cada vez gosto mais! Beijos.

Justine disse...

E grão a grão, assim lentamente, vamos construindo a vida...

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