25.2.14

HOMENS COMO ESCADAS


Há homens que são como escadas
quando sobem o abrir dos dias,
com uma sombra pela mão e as meninas
dos olhos vestidas de seda escura.
Ao fim do dia são ainda escadas,
mas a sombra fugiu-lhes da mão
e perdeu-se na escrita dos países,
enquanto falavam de números
ou calavam a opacidade dos sonhos.
Há homens tão belos como as rendas
de ferro onde poisam os braços,
a descobrirem o fio de claridade
com que traçam as sombras.
Homens como escadas, 

transeuntes, oblíquos,
de poros luminescentes.

Licínia Quitério

Foto de Maria Emília Homem da Costa

3 comentários:

Graça Pires disse...

"Homens como escadas" por onde podem subir e descer os sonhos... Ou como dizia Daniel Faria "homens que são como lugares mal situados"?
Um belíssimo poema, Licínia.
Um beijo.

Justine disse...

Esses são os imprescindíveis, como diria o Brecht!
Belo, muito belo o teu poema...

heretico disse...

diligente tua busca.

nem de lanterna na mão os enxergo.

belíssimo teu poema.

beijo

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