30.3.14

SE NÃO SABEIS



Se não sabeis da minha sede
porque me dais água?
Se não entendeis o meu frio
porque me dais roupa?
São tão altas as minhas montanhas
e vós falais dos degraus lá de casa.
Eu não canto vós sabeis.
Porque falais então na minha voz?
Só me serve este ínfimo quarto
onde guardo o meu cofre
que vós julgais cheio.
Ignorais o nada com que o encho.
Aceito tudo menos
a vossa compreensão.

Licínia Quitério

3 comentários:

Mar Arável disse...

Tudo se conquista
Bjs

Graça Pires disse...

Um poema de revolta. Tão pessoal. Tão social...
Um beijo, Lícinia.

heretico disse...

os poemas são assim - um quase-nada que é tudo...

beijo

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