17.12.14

QUERIA-TE


Queria-te na agonia das cores 
quando a tarde acalmava. 
Era como se um pássaro de cinza 
esvoaçasse ao invés dos meus passos. 
Eu ainda não entendia 
o signo que trazia preso ao bico. 
Um batuque de distâncias atravessava-me 
e eu não sabia porque me doíam  
as lembranças dos mares da infância. 
Queria-te mas não te queria assim 
na hora da desistência dos mágicos. 
Queria-te mas não podia chamar-te 
ao caminho onde tudo estava, tinhas dito, 
era só descobrir. 
Não voltou o pássaro de cinza 
e o caminho continua, imenso. 
Vou juntando pedaços de mistérios, 
com a certeza de que tudo ali foi semeado, 
como disseste. 
É só saber colher. 

Licínia Quitério

2 comentários:

Mar Arável disse...

Um belo ciclo de marés

heretico disse...

e tu como ninguém sabes cultivar a arte de bem colher - com a alegria da partilha.

beijo

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