8.3.15

O FAZEDOR DE PAISAGENS


Dizias casa grande, e  abrias 
os braços,
de parede a parede, 
como se casa fosse de verdade. 
Quem te olhava acreditava na precisão do gesto 
e julgava-te a abarcar o mundo, 
que só podia ser tão vasto 
como a vontade de o saberes. 
Perto da casa havia o mar e, 
de o pensares, 
os teus olhos ficavam verdes de algas, 
e azuis de sol, 
e cinzentos de procela. 
Se havia árvores de vento, 
em redor da casa, 
tu o dizias na tremura dos ombros.
Quem passava afirmava, 
esta é a casa, 
este o mar, 
estas as árvores do vento. 
Tu não te sabias fazedor de paisagens, 
mas continuaste a esboçar lugares 
que depois albergavas 
na casa maior do coração.


Licínia Quitério

2 comentários:

Graça Pires disse...

Alberguei as tuas palavras no meu coração por serem tão belas...
Um beijo, Licínia.

Majo disse...

~
Poesia com brisa estival e aroma de maresia...

~ ~ Com palavras e talento criou um belo texto,
como se fosse uma cativante tela humanizada.

~ ~ ~ Bravo, Licínia! ~ ~ ~
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