31.5.15

BRANCO


Branco, o silêncio.
Brancas mãos sobre os degraus do dia.
Nem uma pena no pano branco da madrugada.
Tudo dorme no vão da noite.
Um choro de criança atravessa a cal.
Sobe até ao peito das mais altas aves.
Despertam as mulheres 

e o leite escorre para a boca dos filhos.
Branca a preguiça dos homens 

a apagar a barca do sono.
De súbito uma vara, 

um clarão, uma cor afiada, um grito, 
uma ferida.
Para trás, 

o silêncio branco das manhãs.

Licínia Quitério

2 comentários:

heretico disse...

e de súbito o branco se faz cor...
e a vida (re)começa.

beijo, amiga

Mar Arável disse...

Passo a passo

até serem completamente brancos

os degraus

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