18.8.15

A MENINA



Eras tão bonita,
menina do acento circunflexo
a fazer de sorriso.
Bonita e sossegada.
Triste não te direi,
que alegre e triste
se fará o teu tempo
de viver.
Do outro lado do vidro,
os teus olhos enormes
eram pequenos 
para tamanho espanto
de crescer.
Deste lado do vidro,
estava eu.
Olhei-te,
decorei-te,
guardei-te no meu livro
de aprisionar infâncias
para não envelhecer.
Não sei ainda
que nome te darei.
Se uma fada madrinha
por aqui passar,
há-de chamar por ti
e, ao ouvi-la, tu responderás:

Esse nome sou eu.

Na sombra dele tu serás.

Licínia Quitério


2 comentários:

Iaceê disse...

Tão bonito!

Graça Pires disse...

A menina que és...
Um beijo, Licínia.

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