8.9.15

SE TODAS FOSSEM PURAS


Se todas fossem puras, as águas,
as de beber, as de banhar,
se todas fossem só uma molécula e mais duas,
se fossem todas transparência, luz da noite, 
pele de menino,
e mais,
se eu as tivesse na minha janela, ao despertar,
e nelas me deitasse, a adormecer,
se todas fossem inocência e asa,
quem sabe eu me perdesse
e meus olhos cegassem
e não vissem as outras,
as águas de chorar, 
as de inundar e devastar,
as de matar aqueles que em seu colo se atrevessem,
e tarde, muito tarde percebessem
que há águas de morrer.

Licínia Quitério  

3 comentários:

Mar Arável disse...

O mar fala por gestos

Bj

heretico disse...

poesia cristalina. como água de nascentes - a tua!

beijo

Carmem Grinheiro disse...

Sim, Licínia: percebem. Mas tarde, muito tarde percebem que as águas são de morrer.
Triste sina.
bj amg

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