16.10.15

DOS BARCOS


Digo dos barcos que ali chegam
regressos amarrados nos porões.
Homens-velas contra as despedidas.
Homens-mastros nas pedras do cais,
com os bornais carregados de sal.
No peito dos marinheiros nasce o sopro 
que acrescenta os ventos e os leva de feição.
Homens-água que com ela se entendem ou se matam.
Dos torna-viagens sei que vão e voltam 
e sempre vão com os olhos cravados na proa, 
cavando mares, cavando, até que a popa 
se recuse ao caminho.

O sopro no peito a esmorecer, 
a âncora presa ao fundo, 
o barco parado, o homem calado,
as pedras de sal a contarem os dias da última viagem. 

Licínia Quitério

2 comentários:

Mar Arável disse...

Gosto de barcos
também dos teus
nos mastros mais altos

Bis

Graça Pires disse...

Marinheira dos teus sonhos...
Beijo.

arquivo

 
Site Meter