24.10.15

NÃO, NÃO SOU



Não, não sou de rebanhos. Sou de prados.
Desobediência é minha vocação.
Sacio a fome a ver crescer a erva.
Ouvi-la germinar é uma ambição 
que guardo ao invés da pele.
Admiro os pastores e o seu silêncio 
a convocar as flautas.
É negra a minha ovelha favorita, 
a que destoa, a que desfaz 
a moleza e a conformação.
Tresmalhada será do aperto 
da malha que a marcou.
É a mais clara das ovelhas negras.
Ama o pastor mais loiro das arábias.

Partilhamos segredos quando à noite 
saltamos os cerrados e corremos prados 
que ninguém correu antes de nós.

Licínia Quitério 

3 comentários:

Mar Arável disse...

Os rebanhos não estão fáceis

por falta de pastores

e pastagens

Graça Pires disse...

Admirável poema que te identifica, minha amiga...
Beijo.

Elvira Carvalho disse...

Descobri-a hoje por acaso, na minha busca de poetisas para o meu blogue de divulgação de poesia no feminino. Levei um dos seus poemas espalhados na net e acabei por descobrir este blogue.
Muito bom este poema.
Um abraço e uma boa semana

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