1.5.18

A DOR DO RIO


O homem não sabia a fundura do colo
Pensou na mãe
Disse estou aqui vou-me deitar estou cansado
Disse acorda-me amanhã devagarinho
Foi abaixo e voltou
e voltou e voltou
O rio estremeceu
Do suspiro do homem nasceu um remoinho
Depois tudo ficou sereno e limpo
Um corpo deitado na corrente
A gente sabe lá a dor de um rio
quando se afoga um homem

Licínia Quitério

4 comentários:

Era uma vez um Girassol disse...

Passei para te dar um abraço, há tanto tempo ausente destes espaços...
Continuas a escrever primorosamente...
Beijinho da girassol

Licínia Quitério disse...

Que bom! És sempre bem vinda. Beijinho.

Graça Pires disse...

"A gente sabe lá a dor de um rio
quando se afoga um homem"
Magnífico, Licínia!
Uma boa semana.
Um beijo.

Licínia Quitério disse...

Obrigada, Graça.
Já tenho saudades tuas.

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