8.5.18

TRAVESSIA


A noite em terra alheia é promessa 

de conforto e resguardo,
de novos convivas em redor da mesa,
em redor da afinação das vozes,
solitárias ainda e logo mais soando
em tímidos duetos
até que a embriaguez aquém do vinho
aclare e aqueça e a palavra se faça
caminho e destino da viagem.

Lá fora estão as árvores pujantes
e as fontes quentes e o rio manso
com os  peixes prateados.
Tudo contido em seus limites
como se falássemos de quadro 
concebido e pintado por um monge
na média luz do claustro.

Se a promessa se cumpre eu já não sei.
Sei das luzes que se acendem na rua,
da renda de sombras nos vidros da janela,
do rumor da água do rio sob as pontes.
Só me falta saber quando farei a travessia.

Licínia Quitério

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