9.4.06

DO FOGO


Prometeu quis roubar o fogo e os deuses não deixaram, mas os Homens o fabricaram.
Nada ficou como dantes. Com ele aqueceram o corpo e incendiaram o coração.
Se olharmos fixamente as chamas das fogueiras, poderemos ver Prometeu dançando,
liberto das correntes e das aves de rapina. Experimentem! Também de mitos vivemos!...


A LAREIRA

Ateavas o fogo da lareira
com minúcias de escriba acocorado.
Arrumavas a lenha
em solidez geométrica.
Conhecias o momento exacto
do explodir da pinha.
Acalmavas a chama
com o olhar.
Recolhias a cinza
como quem afasta a sombra.
Eras Senhor do fogo
e com ele aquecias
as mãos enregeladas
pela nortada.

O fogo dominado,
os dedos confortados,
escrevias então por todo o lar
a presença, o carinho, o abraço.

E em mim nascia o sobressalto
de o lume se apagar.


L.Q.

3 comentários:

Luz de Estrelas disse...

Muito, muito bons. Precisamente o género de poemas de que gosto. Pouco convencionais, a atirar para imagens que não são da realidade comum. Gostei muito. Parabéns!

jorgesteves disse...

Uma (excelente) referência a Prometeu. Como ele dizia, pela pena de Goethe 'minha lareira que,
quando arde, sua labareda me doura'...
jorgesteves

tb disse...

Lindo poema, homenageando o fogo, símbolo a vida.

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