9.4.06

FRIDA Ferida


Trata-se de Frida Kahlo. A obra dela está aí para a podermos saborear. Para nos comover, para nos arrepiar. A artista e o seu calvário. Um monumento à dor. Está na moda, diz-se. Ainda bem, direi. Tem a ver com ela (também) o que escrevo a seguir.


FERIDA

Falava com a raiva
enrolada ao pescoço
e as vogais eram surdas
quando dizia os nomes
os lugares as datas

as mãos em punho
que punhais não lhe deram

as faces polvilhadas
pelo sal do choro que secara

agitava o corpo
e as pregas da saia
ondeavam em fúria

cavalos-marinhos
prendiam-lhe os cabelos
e dálias de fogo
brotavam-lhe dos seios

os pés esmagavam cactos
e sangue e seiva
se entendiam

era uma dor soberba
a da mulher dos sonhos
violados

às vezes ria
L.Q.

4 comentários:

Licínia Quitério disse...

XIGATO
Desiste, por enquanto és anónimo.
Eh, eh, eh.
L.Q.

OrCa disse...

Depois do poema "lá mais abaixo", este outro, de fortes imagens, impeliu-me a deixar por cá referência de passagem.

Bom poema. A Frida não o desdenharia.

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Parabéns. Conseguiste por em palavras o que a Frida nos ofereceu em imagens.
Gostei muito deste teu "sitio", vou voltar.

jorgesteves disse...

Curiosamente 'conheci' Frida através do muralista Diego Rivera (marido). Uma figura profunda, marcada por uma vida terrível e intensa que fez dela uma mulher de excepção. Contrariando o próprio marido que a apodava de surrealista ela sempre afirmava 'eu não pinto sonhos, pinto a minha realidade'.
Aqui, neste poema, uma perfeita homenagem a esta Mulher!
jorgesteves

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