10.4.06

OBRIGADO, ARY!


Pelo nome de JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS correm gritos pela Liberdade, canções de revolta e de triunfo, imprecações, inconformismos, subversões, fortes respirações de um Homem cuja voz abrasou e abanou a Cidade, o País.
E por dentro do seu vulto de gigante, também (e com que beleza!) o lirismo do Poeta, feito de palavras tão fortes e simultaneamente tão doces. Aqui recordo convosco um poema seu, onde afloram sons de ternura e de abandono.

Obrigado, ARY, por seres ainda e sempre um cheirinho do nosso ABRIL!


A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa.
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
L.Q.

5 comentários:

tb disse...

...e aqueles que pelos seus feitos se vão da morte libertando...acho que Ary é um desses.
Obrigada por o recordar aqui connosco.

rutebruno disse...

Os meandros da internet afastam a solidão, ensinam-nos coisas e recordam-nos pessoas...
Obrigada pelas palavras.

Luz de Estrelas disse...

;) O Ary não teve oportunidade de conhecer outros talentos. O poder da palavra escrita é sublime

jorgesteves disse...

(sempre)O meu afecto para quem recorda Ary!
Um dos seus gritos de alma, este poema. Cada vez mais a Cidade é um chão de palavras pisadas; poucos são os que as recolhem e Abril perde-se, aos poucos, na memória dos mal lembrados...
Grato pelas suas palavras.
jorgesteves

Paula Raposo disse...

Toda a poesia de Ary me fascina...e gostaria de ter tido a oportunidade de o ter conhecido pessoalmente, mas como não tive, resta-me ler o que ele escreveu e que será imortal, como só os Grandes são.

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