16.4.06

GUERNICA



E a flor? Só quatro pétalas. Ou três?
Ainda viva.
E a luz do candeeiro? Extensão do músculo do braço. Só braço.
Acesa.
E o filho? Já não. Só o grito na boca retorcida da mulher.
E a besta? Narinas fumegantes e patas muitas a esmagar a eito.
Tão funda a dor. Tão sem remédio o espanto.
Aconteceu?

Só muito recentemente tive o privilégio de admirar este quadro, em Madrid, no Museu Rainha Sofia. Experimentei talvez a mais funda emoção da minha vida ao contemplar uma obra de arte. Julgava que a sabia de cor. Não. Não há reprodução possível para imagens desta intensidade. Vi gente em lágrimas perante a enorme tela. Eu não estava só.
Que viva Pablo Picasso!

L.Q.

9 comentários:

Paula Raposo disse...

Obrigada pelas tuas palavras nas minhas romãs. Agradeço o conselho, não uso técnicas de escrita, nem pretendo ser escritora, logo, utilizo a primeira pessoa porque é essa mesmo que me dá gozo utilizar. Beijinhos.

jorgesteves disse...

E, sobretudo, que nunca esmoreça a Memória!...
jorgesteves

lena disse...

a curiosidade fez com que entrasse no teu blog e conseguisse ler tudo

passo a paso fui lendo e entrando na tua maneira de escrever, encantou-me pela sensibilidade e emoção com que descreves cada post
adorei ver por aqui Sophia, que adoro ler, tal como Frida Kahlo que admiro a sua obra, passei por Ary que me toca e li a tua poesia

foi um bom momento que me cativou pela positiva

voltarei sempre que conseguir

o blog que está realmente muito bem conseguido


um braço meu e beijinhos

lena

Teresa David disse...

Como tu tb adoro ilustrar pintura. Esta guernica, tão bem ilustrada em palavras, vi-a no Prado ao vivo, e a sua dimensão agigantada, fez-me quedrar bastante tempo a olhá-la pormenor a pormenor. Ontem fiz umas ilustrações de quadros de Otto Dix, pintor recorrente para mim para ilustrar as minhas palavras. Se tiveres curiosidade, vai até ao meu blog, e encontrarás nos meses anteriores mais quadros dele com poemas meus.
Um grande beijão, e continua que o teu blog é dos que apetece sempre visitar.
Teresa David
http://teresadavid.blogspot.com

De Amor e de Terra disse...

Muito belo Amiga o que escreveste!
Poema e comentário.
Ainda não tive o privilégio e ver "ao vivo"; será um dia!
Mas que me faz sentir um sufoco cá dentro, ai isso faz, mesmo não sendo o original.

Um beijo e Parabéns.

Maria Mamede

tb disse...

...quando a realidade entra pelos olhos dentro...
Gosto muito de vir aqui.

Era uma vez um Girassol disse...

Deve ser algo impressionante!
Imagino só....
Texto muito bom.
Bjs

rutebruno disse...

já te tenho lido tantas vezes, mas este confesso que gostei como nunca!
linda imagem a tua, diferente?

Licínia Quitério disse...

De quantas imagens somos feitos, Rutebruno? Nós próprios levamos a vida inteira a descobri-las.
Beijos muitos.
L.Q.

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