27.3.11

COM TUAS MÃOS
















Com tuas mãos falantes é que me anunciavas
a fala das andorinhas e dizias o desenho
do relógio de sol. Como se eu entendesse
as tuas viagens nos passos em redor da sala.
Foi preciso ver as asas saindo dos teus dedos
e a sombra da haste no declínio do dia.
Nessa hora os teus passos fecharam a viagem.
As tuas mãos perfeitas se fizeram arco
e eu pude divisar a rua que viveste
com cuidados maternos a afagar as ervas.
Para lá do arco, disseram os teus olhos,
eu havia de ter a minha luz e as pedras
brilhariam a iluminar esquinas e veredas
e a amplidão dos mares e a solidão dos versos
e sempre e sempre as andorinhas haviam de voltar
porque é nas tuas mãos que começam as aves.

Licínia Quitério

6 comentários:

Justine disse...

O quanto se aprende pelo amor! O quanto o amor nos pode dar! E como tu o sabes dizer, serena e contidamente:))

heretico disse...

"com as mãos se faz a paz, com as mãos se faz a guerra" - nas mãos se encerram amorosamente as viagens...

gostei muito


beijos

Graça Pires disse...

Há mãos assim que começam por ser aves. Um belíssimo poema, Licínia.

Ainda estou à espera de comprar o teu livro.
Beijos.

Maria disse...

Perfeito!
É nas tuas palavras que começam muitos dos sonhos...

Um beijo, Licínia.

OUTONO disse...

O amor...essa palavra vida, que anda na mente de todos, mas nem todos a entendem. Pior, por vezes julgam entendê-la...
Magnífico canto...o teu!
Beijinho.

Mar Arável disse...

Também voas quando escreves

àcerca das mãos

com a tua mão preferida

para espanto das andorinhas

Bjs

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