23.8.11

TIVE ENCONTRO


Tive encontro com o vento. 
O olhar de lume dos cavalos alados.
Os chicotes na desfolha dos palmares. 
Os meus cabelos de medusa, não mulher,
não serpente, não sossego.
Posso contar da leveza, da premonição,
do rodopio, da tentação.
Oiço, claramente oiço, as novas
do deserto soletrando água
nos sons primordiais.  
Línguas sem vogais que só o vento guarda
e anuncia no vórtice terrível, devastador,
da sua escrita de areia e lava.
Maior o meu tremor que o meu temor.

Licínia Quitério

7 comentários:

hfm disse...

Gostei muito deste encontro!

Graça Pires disse...

Tentar soltar ao vento tudo aquilo que nos fere o pensamento ... Um poema maravilhoso, como sempre.
Um grande beijo, Licínia.

Mar Arável disse...

Nem os ventos são iguais

a menos que saibamos ouvi-los

Um poema que desafia o pensamento

heretico disse...

que venha então o fogo e a lava. e que os ventos reinventem o fulgor palavra ardente.

ecos (antigos) de Tragédia. e os prenuncios na voz das Mulheres de negro...

belissimo.

beijo

Justine disse...

Dito assim, com esse esplendor poético, até começo a gostar destas tardes ventosas e frescas:))))
Não, gosto é muitíssimo do teu poema, amiga poetisa!

M. disse...

Assustadoramente forte.

sandrafofinha disse...

Que belo encontro!! Tive um encontro com o teu blogue e com o teu cantinho,te posso garantir que adorei,teu espaço é bastante bonito e tens poemas espectaculares!! Mil beijinhos querida, te desejo tudo de bom amiguinha linda!!

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