6.12.11

DÊEM-ME


Dêem-me
um resto de verão uma franja de lenço um caroço de alperce um pião uma bruma da tarde uma escama de peixe um dó menor uma folha de trevo um retrato a sépia uma fresta de luz
uma razão
uma razão
para construir para defender para louvar para caminhar para refazer para atacar
para voltar
para voltar
ao ninho à árvore à estrada ao mar à música ao grito
ao riso
ao riso
na prata das sereias na rouquidão dos machos no veneno das bruxas na natural infância na vibração
do amor
do amor

Dêem-me
quero dizer
a sede

a água
a água
o desejo


Licínia Quitério


10 comentários:

heretico disse...

sim. sim, a água do desejo. como sêde e alimento...

belíssimo.

beijo

Anónimo disse...

Uma razão: a da certeza de estarmos certos com a humanidade que queremos!
Tão bonito... a poesia voltou, pé ante pé, como um breve lambido de gatinha.
Bjs da bettips

Alien8 disse...

A da poesia já tens de sobra :)

Maria disse...

Belíssimo poema, a angústia subjacente a explodir no final...
Gostei muito, Licínia.

© Maria Manuel disse...

tão ritmado, um verdadeiro apelo ao retorno do que é essencial. e um final perfeito, que para retornar é preciso querer, desejar.

beijo, Licínia.

Justine disse...

Que a força não te abandone, porque ela está toda, intacta, na tua poesia!

M. disse...

Uma ladainha de afectos. Muito belo.

Mar Arável disse...

Tu sabes
tu sabes

que tudo se conquista

Bjs tantos

tb disse...

Fantástica, imagem e poema.
Beijinho

sandrafofinha disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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