23.12.12

NOITE


Há de haver uma noite
que ponha nos caminhos 

a glória dos astros
o silêncio dos bichos
a ternura  dos homens
o espelho das águas
subitamente calmas


Um átomo de amor
uma nova leveza 
um clarão entre muros
um azul de safira
a cravejar o negro
a consolar a solidão
das pedras da passagem

Será hoje ou num ano
qualquer de qualquer vida
num tempo sem relógios
de ânsias e cansaços
nem velhos calendários
em que tudo é exacto
previsível e baço

Virá a noite esplêndida
de braços maternais
com o seu pomo de oiro
o seu sabre de prata
seus sete véus de bruma
seu unicórnio branco
seu amante seu dia

Licínia Quitério

7 comentários:

Mar Arável disse...

Pelo sonho é que vamos

sempre
tudo pelo melhor

Era uma vez um Girassol disse...

Passei para desejar um Feliz Natal.
Quanto ao próximo ano, quem sabe?
Cheio de dificuldades e incertezas.
Belo poema...
Beijinho da girassol

Justine disse...

Há-de haver, sim!
Uma boa noite para ti, amiga:))
Beijo

Rui Fernandes disse...

Não vim para comentar, fá-lo-ei com disponibilidade. Apenas desejar um feliz Natal. Rui

cores e outros amores disse...

Há-de haver uma noite, sim... ou um dia, ou um ano, ou simplesmente um instante em que tudo fará mais sentido!

M. disse...

Uma espécie de poema religioso de esperança.

Nilson Barcelli disse...

Há de haver, com certeza.
Magnífico poema, gostei muito.

Licínia, espero que o teu Natal tenha sido muito Feliz e desejo que o teu novo ano seja excelente.

Beijinhos.

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