1.1.13

REDONDO O MUNDO


Redondo o mundo de caminhar em frente, 
paralelamente ao cordão de tristezas, 
uma mão de alegrias de onde em onde,
que se podem somar, multiplicar 

por desejos de opala, preciosos,
úteis como esporas que fazem sangrar,
que fazem correr.
Todo o corpo arde na febre da viagem,
todo o corpo arrefece na praça da memória.

Um só corpo não basta para voltar
à casa construída, ainda que fosse barco
e navegasse.
Na outra ponta do mundo, no outro vão
do arco, uma luz se levanta, cada dia mais 
clara, mais bondosa. É o sinal do silêncio,
do anoitecer na linha da partida.
Um corpo continua para que outro recomece.
Nunca uma casa permanece.

Licínia Quitério

4 comentários:

Anónimo disse...

A casa da memória permanece, enquanto o tempo de viver. Deixamos asas não deixamos masmorras, disso temos a certeza. Tão belo quanto o pensas.
Bjs da bettips

manuela jorge disse...

Assim gira o mundo, indiferente aos dramas, que carregamos na alma.
Navegar é preciso. Mesmo quando a casa alberga o silêncio.
A cada um o seu tempo, o seu lugar.
Na alternância do sol e da lua o mundo continua a girar.

Mar Arável disse...

Vozes ao alto

Lágrimas em riste

Justine disse...

Nunca a vida para, mesmo que nós partamos...

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