8.9.13

NAVEGAMOS



Acendemos barcos nos telhados para não sossobrar na penumbra dos claustros. Encobrimos fissuras com os fios sobrantes do naufrágio. Percebemos que a luminescência do silêncio pode guardar o segredo da viagem. Tempo sobre tempo restauramos a nau. Aprendemos a bolina mas não nos precavemos contra o capricho dos mandadores dos ventos. Confiamos e vamos e tantas vezes 
voltamos. Outras tantas perdemos a vela e o encanto. Empobrecemos, enriquecemos, vendemos o pano e as vísceras. Em terra somos a hesitação entre a procela e a bonança. Imóveis, navegamos, os barcos acesos vigiando o mar.


Licínia Quitério

3 comentários:

Anónimo disse...

Conheço essa quilha de barco sonhado, conheço o sonho que voa e segue. Barco de céu, partilha de água.
Bj da bettips

Mar Arável disse...

Há estrelas que não se apagam

mesmo de olhos fechados

Justine disse...

As tempestades tornam todos os navegantes mais fortes...

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