20.8.14

A LUZ DA NOITE


Vou com a luz da noite. 

Não digo escuros os dias. 
Digo a fuga do arco-íris 
e a violação do pote de ouro, 
sem ouro, só reflexos de ouro. 
Cegos os homens de cegueira nova, 
vergados à ilusão das varas. 
Veladas as mulheres, 
videntes, bruxas, pitonisas, 
a carregarem filhos, flores de areia, 
estilhaços de metal e fome. 
A luz da noite me dará a cor dos campos, 
os rostos das mulheres, 
os homens recuperados da escuridão, 
os filhos-flores. 
Para trás ficará o estrépito da guerra, 
o peso das varas e o seu rancor. 
Pode ser que a luz da noite me segrede a explicação do dia. 

Licínia Quitério

3 comentários:

Graça Pires disse...

"Pode ser que a luz da noite me segrede a explicação do dia"
Segreda, sim, amiga porque a luz da noite é tão inspiradora...
Um poema com a tua indelével marca...
Um beijo.

Mar Arável disse...

Nem tudo se conquista

Bj

Vera de Vilhena disse...

Acabo de descobrir o seu blogue e gosto muito. Hei-de vir visitá-lo de vez em quando. Belíssimo, este poema. Beijinho

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