24.8.14

AS ÁGUAS


Poucos se salvam das águas.
Muitos se perdem nas águas.
Todo o mar abismo, perdição.
Mais sal, menos sal, 
mais sangue, menos sangue.
À beira-mar, à beira-vida, à beira-morte.
Dizem haver ilhas tão belas
que os homens se aventuram
e vão. Muito mar, muita dor,
até findar o mar, achar o outro lado,
que pode ser ilha ou coisa nenhuma.
Pela fome é que vamos, dizem uns.
Outros dirão: é pela ambição.
Em terra sempre fica quem 
aprontar melhor embarcação,
não vá o mar crescer e afogar
ou secar e salgar.
Salgada e seca, sim, a pele de Ulisses
cansado de marear.

Licínia Quitério

1 comentário:

Parapeito disse...

Mas que nunca se perca a vontade de atravessar o cabo das Tormentas...
" As Águas " gostei delas

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