6.4.15

CAMINHOS


Envelhecidos de abandono e ferrugem, os caminhos já não levam nem trazem. 
Aguardam a derrocada ou a maquilhagem. 
Quem os viveu deles reteve os cheiros da limalha e da salsugem. 
Agora diz brinquei aqui, amei ali, um lamento de viés, um dizer dantes havia gente, agora é o deserto.
No caos, a aparição de velha dama, sombrinha de renda, a mão enluvada. 
O temor e a sedução da decadência. 
Estética de filmes negros, de prostitutas maltratadas e bêbados perdidos da vertical do amor. 
Quantas histórias no cenário, este em que os homens se deixaram jogar com cartas viciadas, confiados na sorte de uma só bala na câmara. 
Ainda há barcos deitados no rio, pescadores de lodos e desgraças, passantes de passos perdidos em busca de memórias dos que dali fugiram, desfeita a ordem dos dias da aventura. 
Caminhos que é preciso dizer.

Licínia Quitério

1 comentário:

Mar Arável disse...

De passagem nos encontramos nas margens

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