5.1.16

PRENDO-ME


Prendo-me no ensaio desajeitado de ternuras
quando as gotas de chuva se desatam
nos vidros da manhã e a música da terra
se adivinha em pétalas de flores.
Os raros transeuntes deste dia têm
um jeito húmido de andar, uma moleza
envergonhada, ou são meus olhos
lentos de acordar.
Quem me dera notícias de alegria
atravessassem a rua do meu sonho
e a chuva fosse a embriaguez do vinho,
o carinho da mão a amortecer a dor,
a suave liquidez do adormecer.
Deste jeito será a paz com que me vivo, me prossigo.

Licínia Quitério

3 comentários:

O Puma disse...

Com ternura

contra a indiferença

Bj

Elvira Carvalho disse...

Um excelente poema.
Um abraço

Rui Fernandes disse...

Agora não é para comentar, é para anunciar: estou em processo de mudança para um novo sítio. O URL é:

http://www.blog.tremontelo.pt/

Agradeço uma visita e um comentário breve. Rui

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