5.5.16

DIA A DIA



O dia a dia é um vulgar objecto
O charco a afogar os pés ou
A nuvem encostada à imaginação
A força nos braços ou os braços sem força
O carro que desce a rua ou o velho que a sobe
O dia a dia é o que passa diante dos meus olhos
E mais o que passa por dentro deles
E o que invento e faço e desfaço
Sem sair do lugar sem contar
A usura dos dias
E o dia a desfilar
Mais um dia outro dia
A somar a somar

2 comentários:

Rui Fernandes disse...

A Licínia junta sempre a moderação da imagem à economia das palavras e o resultado é um poema tão belo. Como só ela sabe. Não se lobriga os lugares comuns, como dias a subtrair e outros sentimentalismos piegas. O dia a dia é "um faço é desfaço sem sair do lugar". Obrigado Licínia por poder ter hoje um dia melhor.

Licínia Quitério disse...

Obrigada, Rui, pela tua presença sempre.

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