28.2.18

O OIRO

 


se eu tivesse a idade das montanhas
e a sensatez das aves em viagem
eu seria capaz de construir
por minhas mãos a casa a mesa 
a toalha o arado
de inventar as palavras que não ferem 
nem sobram
de transmutar em pão o pó das derrocadas
de aprender e ensinar ao mesmo tempo 
e sempre
seria até capaz de devolver ao marinheiro
o mar
o peixe ao pescador
ao camponês a terra

mas pensando melhor
à minha sorte só faltava o oiro
para eu poder comprar
o mar a terra o ar
e mais ainda
a morte

Licínia Quitério 

2 comentários:

Mar Arável disse...

Os silêncios só falam por gestos
Bj

Graça Pires disse...

Mas tu já inventas as palavras que dizem tudo...
Uma boa semana, minha Amiga.
Um beijo.

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