31.5.06

SER PORTUGUÊS


em que mares navego
em que reinado
que sombras me decoram
em anel de virtudes
outrora celebradas


e que dizer dos ossos
a aguardar banquetes
de matilhas esfaimadas
sem deuses que castiguem
ou perdoem

que fazer com o silêncio
da dor que implode
o prédio da saudade

ser português O’Neil
aqui agora
não cabe num poema
é uma aflição


Sabe-me bem falar com os Poetas, os de hoje e os de ontem. Atrevo-me. Peço-lhes de empréstimo as palavras que descobrem ou que refazem, os sentimentos que revelam e onde vamos encontrar amparo, as reflexões sobre a vida e o mundo, sempre traçadas na fronteira do choro e do riso. Alexandre O'Neil é um dos sacrificados pelas minhas incursões nos seus domínios, conforme amostra acima. Ele que escreveu um poema tão belo sobre o País que amava e que tão mal o tratou. Passo a transcrever o final:

"...Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós... ".

Licínia Quitério

22 comentários:

GTL disse...

Licínia,

Como me encanta vir cá espreitar!!!

E como também gosto do meu País, apesar de todos os pesares, se bem que não seria de todo descabido sermos comprados pelos espanhóis, ah, ah, ah

Bjs
MDB

canela_e_jasmim disse...

Amiga,

Pois é bom ter amigos :))))Obrigada pela tua visita, querida.

Quanto ao O' Neill, ainda há poucas semanas estive numa tertúlia organizada pelo meu filho mais velho, em que apoeia lida foi deste grande poeta e publicitário do nosso tempo.:)))

Beijinhos grandes para ti e para este teu jeito especial de leres e de fazeres ler.

canela_e_jasmim disse...

(...) Peço-lhes de empréstimo as palavras que descobrem ou que refazem, os sentimentos que revelam e onde vamos encontrar amparo, as reflexões sobre a vida e o mundo, sempre traçadas na fronteira do choro e do riso.(...)

Está perfeito. :))

alice disse...

bom dia, licínia

espero que esteja tudo bem consigo

se não se importa, vou visitar os contactos que comentaram o meu texto no post anterior e agradecer a cada um deles pelas palavras

um grande beijinho

bem haja ;)

alice

Vasco Pontes disse...

Olá licinia,
vou ficar aqui, de mão dada contigo, a sentir/ser português. ... não sei se colocarás textos melhores, mas duvido que algum possa ser mais sentido.
Beijos

Ana Prado disse...

Que surpresa agradável este sítio... mais do que dar a conhecer a poesia dos mestres, há a preocupação e, mais do que isso, a sensibilidade, de os comentar.
Gostei muito.
Até breve!

musalia disse...

Visitar quem me visita é quase um 'dever' para com quem se debruçou sobre as minhas palavras. Obrigada pela tua visita, Licínia.

O teu espaço é um momento poético de grande elevação. Não só pelos poetas que eleges mas, e sobretudo, pela interpretação das suas palavras com as tuas próprias imagens.

voltarei :)

um beijo.

alfazema disse...

Lícinia

Passar por aqui é sempre um prazer. Estou numa fase de enamoramento da poesia. Nunca me senti especialmente atraída por este género literário. Falta de sensibilidade? Talvez Falta de conhecimento? Também
Mas a verdade é que estoua descobrir esse gostinho especial. É bom!
Um beijinho

FOTOESCRITA disse...

Gosto desta simplicidade e deste pensar alto que aqui tenho encontrado. É tão bom!
Um beijo.

Mendes Ferreira disse...

obrigada...é só mais um. blog. :)

Era uma vez um Girassol disse...

Muito profundo este Ser Português!
E cada vez mais actual, infelizmente...
Gostei muito!
Bjs

Ana disse...

Falar com os Poetas é uma forma de os trazer para mais perto. Vou ficar por aqui a ouvir.
Um beijo.

girassol disse...

O cheiro da Poesia no Sítio todo, para ser respirada...
Obrigada!.

Um Beijo

jorgesteves disse...

Já o disse aqui, mas apete repeti-lo: balanço entre os prazeres das memórias aqui e das palavras suas que embrulham essas memórias. Continuo a saborear ambas!

amizade,
jorgesteves


p.s. - infelizmente não é só O'Niell que levou queixumes da pátria; poucos foram os poetas que escaparam a tais sabores...

greentea disse...

Portugal é assim - a tratar os poetas

e não só...

legivel disse...

O´Neil é um dos meus poetas favoritos e que ainda tive oportunidade de conhecer em vida. Tanto na escrita, como na palavra, era um homem de ironia afiada e de dar os recados na hora, sem os mandar por ninguém ilustrando o Portugal de então como poucos o fizeram nas letras.
Também admiro as tuas conversas com os poetas, como é o caso deste. Sinal que está bem vivo na tua memória; e na minha e de muitos outros de nós.

Abraço.

umacoisaemformade_assim disse...

O'Neill, sempre!

marginal disse...

gostei muito

Desambientado disse...

Que blog simpático e rico.

Que gostos requintados, que mar doce se espraia nas palavras que bem dizes e que melhor escolhes.

Parabéns.

lique disse...

O'Neil é um dos meus poetas de eleição e esse poema de que falas exprime de forma extraordinária as questões mal resolvidas que cabem nesta nossa qualidade de portugueses.
Tu fizeste jus ao grande poeta que "visitaste".
Beijinhos

http://mulher50a60.weblog.com.pt

Maria P. disse...

Boa escolha vizinha.
um beijo.

Vieira Calado disse...

Grande poeta, com certeza!

Cumprimentos meus

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